PROJETO GAME GEAR RP2040 — CONSTRUINDO O GAME GEAR QUE A SEGA NUNCA LANÇOU
Parte 1 – A ideia, o planejamento e as escolhas
"Alguns projetos existem porque fazem sentido. Outros existem simplesmente porque nos fazem felizes."
Recentemente, olhando minha bancada, percebi algo curioso.
De um lado havia um Game Gear aguardando restauração. Do outro, um Raspberry Pi Pico comprado por um preço irrisório. Em uma gaveta, uma bateria nova de controle de PlayStation 4 que havia sobrado de outro projeto. Em outra caixa, uma tela IPS de 3,5 polegadas que não coube onde deveria.
Separadamente, aquelas peças não significavam muita coisa.
Juntas, começaram a formar uma ideia.
A ideia não era construir o portátil mais poderoso do mundo.
Muito menos competir com os inúmeros consoles chineses que hoje custam pouco e emulam dezenas de sistemas.
Na verdade, seria uma batalha perdida antes mesmo de começar.
Então por que fazer isso?
Porque construir algo é completamente diferente de comprar algo pronto... existe um prazer em ajudar a a fazer alguma coisa que você vai aproveitar depois. É o mesmo sentimento que eu tinha quando montava cartuchos reprogramados, ou quando conserto algum aparelho antigo... é uma busca por aquela sensação de que eu participei do processo de alguma forma.
O objetivo
Este projeto tem uma proposta muito simples:
Transformar uma carcaça original de Game Gear em um portátil moderno, preservando completamente a sua aparência, seus controles e sua identidade.
Não queremos esconder que se trata de um Game Gear.
Queremos justamente o contrário.
Queremos que, ao olhar para ele, qualquer pessoa diga:
"Isso é um Game Gear..."
E somente depois de ligar o aparelho descubra que existe um Raspberry Pi Pico escondido lá dentro.
Por que um Raspberry Pi Pico?
Muita gente provavelmente perguntaria:
"Mas por que não usar um Raspberry Pi Zero 2 W?"
Ou então:
"Por que não comprar um daqueles portáteis chineses que já vêm prontos?"
A resposta é simples.
Porque o objetivo nunca foi ter o videogame mais potente e o Game Gear original tem apenas 3 botões... não adianta rodar PS1 e N64, por exemplo.
O objetivo é aprender.
O RP2040 é um processador extremamente interessante.
Ele é pequeno.
Consome pouca energia.
Liga praticamente instantaneamente.
E, principalmente, obriga o projetista a pensar.
Cada byte de memória importa.
Cada miliampère economizado aumenta a autonomia.
Cada escolha de hardware faz diferença.
Existe um prazer enorme em trabalhar dentro dessas limitações.
A filosofia do reaproveitamento
Talvez a parte mais interessante deste projeto seja justamente a origem de seus componentes.
Praticamente nenhuma peça foi comprada exclusivamente para ele.
A bateria veio de um controle de PlayStation 4 que achei no lixo.
A tela IPS foi adquirida inicialmente para transformar um portátil "400 in 1", mas revelou-se grande demais para aquela carcaça.
O Raspberry Pi Pico foi comprado por curiosidade.
A placa de engenharia reversa do Game Gear seria utilizada em uma restauração completa de um console original, contudo, comprei a placa errada. Existem algumas em que basta povoar com os chips proprietários e slot de cartucho... essa que comprei não vem com nada, nenhum capacitor ou resistor. Vai servir bem como base para os componentes novos e os chips originais que eu usaria servirão em outro projeto.
É curioso como alguns projetos parecem escolher seus próprios componentes.
Preservando a história
Desde o primeiro momento ficou claro que este não seria um mod comum.
A intenção nunca foi simplesmente colar módulos dentro da carcaça.
A ideia é preservar tudo o que puder ser preservado.
Os botões continuarão sendo os originais.
As membranas continuarão sendo as originais.
O alto-falante continuará sendo o original.
A chave liga/desliga continuará sendo a original.
O controle de volume também.
Até mesmo a entrada para fones de ouvido deverá voltar a funcionar.
A carcaça continuará sendo exatamente aquela produzida pela Sega há mais de trinta anos.
Por fora, continuará sendo um Game Gear.
Por dentro, uma interpretação moderna do que esse portátil poderia ser hoje e com baixíssimo custo.
As peças
Até o momento, o projeto utilizará:
- Raspberry Pi Pico (RP2040)
- Tela IPS SPI de 3,5 polegadas
- Amplificador PAM8302
- Carregador TP4056 USB-C
- Leitor microSD
- Bateria de controle DualShock 4 (2000 mAh)
- Alto-falante original do Game Gear
- Botões e membranas originais
- Carcaça original Sega
- Placa de engenharia reversa do Game Gear
Nada foi escolhido por acaso.
Cada componente foi selecionado buscando baixo consumo, baixíssimo custo, facilidade de manutenção e, principalmente, respeito à estética do console.
Muito além dos jogos
Embora o objetivo inicial seja rodar emuladores clássicos como:
- NES
- Game Boy
- Game Boy Color
- Master System
- Game Gear
- Atari 2600
- ColecoVision
- CHIP-8
- Arduboy
O hardware será pensado para permitir futuras expansões.
Quem sabe, no futuro:
- saída de vídeo externa;
- controle externo;
- dock para televisão;
- Bluetooth;
O que vem pela frente
Na próxima parte começaremos a desmontagem completa do Game Gear.
Vamos analisar a placa de engenharia reversa, definir a posição de cada componente, elaborar os esquemas elétricos e mostrar, passo a passo, como transformar o que restou de um console lançado em 1990 em algo que talvez a própria Sega tivesse orgulho de lançar nos dias de hoje.
A placa de engenharia reversa vai servir não só como apoio, mas também como distribuição de 5v e gwd, além da reutilização dos pontos de soldagem para os botões.
Continua...

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Já ansioso para a parte 2.
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